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60Anos

Diariamente, construindo novas realidades

Sobre este

documento especial

Sessenta anos não cabem em 40 páginas. O caminho trilhado pela Universidade Católica de Pelotas é muito vasto e impossível de ser recontado. A história da Católica foi construída a partir de muitas mãos e de vários ideais. Começamos o projeto editorial desta publicação sabendo muito bem disto.

Entretanto, a cada nova conversa, entrevista, na busca de fatos históricos sobre a instituição, foi possível perceber que, mesmo passados 60 anos, a essência da universidade permanece a idealizada por seu fundador, Dom Antônio Zattera: construir novas realidades por meio da educação.

Desde a sua criação, todo o conhecimento desenvolvido dentro da instituição tem o único objetivo de contribuir para as comunidades do seu entorno, e isso nunca mudou. Os profissionais formados pela UCPel partem para o mundo comprometidos em atuar em prol do desenvolvimento social e humano.

Ao longo de sua história, a universidade sempre caminhou ao lado da população. A cada novo atendimento, a cada conteúdo abordado em sala de aula, nas mais diversas ações desenvolvidas, o compromisso é, diariamente, reafirmado por toda a comunidade acadêmica.

Foram 60 anos intensos. A primeira instituição de ensino superior do interior do Rio Grande do Sul nunca encontrou terreno fácil. Inspirada na fé de seu fundador seguiu em frente, mesmo quando todos os prognósticos previam o contrário.

A UCPel transformou e transforma ideias em conquistas. Na última década se reinventou e alcançou sonhos até então improváveis. Mesmo sendo uma instituição universitária de pequeno porte, no extremo sul gaúcho, tornou-se em 2017 a maior escola médica do Rio Grande do Sul.

A pandemia, provocada pelo novo coronavírus, trouxe mais uma vez novos desafios. Como resposta, a Católica segue com o olhar voltado ao futuro, tendo como ideal a causa educacional. Pioneira que foi, tem marcada em seu DNA a coragem e a ousadia, tão necessárias à construção de novos sonhos. Quem saberá o que reservam os próximos 60 anos?

OPINIÃO | Alargar o uso da razão

OPINIÃO | Alargar o uso da razão

Todos nós, pelo simples e grandioso fato de sermos humanos, temos em comum a inquietação, a busca, a exigência de usar a razão para compreender a realidade na totalidade de seus fatores. Compartilhamos a necessidade de abraçar cada circunstância como fator essencial para o pleno desenvolvimento da própria humanidade, como parte da tarefa que nos cabe neste mundo. Neste ponto, pode-se compreender também a identidade e a tarefa da Universidade Católica.

Em 2008, no discurso à Universidade “La Sapienza” de Roma (discurso que não pôde pronunciar por causa da hostilidade de um grupo de professores e alunos) o Papa Emérito, Bento XVI, afirmou: “Devemos interrogar-nos: ‘O que é a universidade? Qual é a sua missão?’ É uma questão colossal, (…) Penso que se possa afirmar que a verdadeira e íntima origem da universidade esteja na sede de conhecimento, que é própria do homem. Este quer saber o que é tudo aquilo que o circunda. Quer é a verdade!” Está em jogo, portanto, um despertar o ser humano que nasce com uma estrutura originária caracterizada por uma inesgotável abertura da razão diante do inexaurível chamado do real: a razão é exigência de totalidade. E somente uma razão que usa as suas capacidades sem restrições poderá vencer a era do vazio humano e social que estamos vivendo. Poderá reverter o processo de banalização da cultura, superar a onda do niilismo, restituindo a cada pessoa a possibilidade de responder mais plenamente às suas exigências originárias e oferecer à sociedade uma qualidade superior de convivência na justiça, na solidariedade e na paz. “Para esta vastidão da razão convidamos os nossos interlocutores”, afirmou Bento XVI, em 2006, no discurso que ele proferiu na Universidade de Regensburg, Alemanha. Alargar o uso da razão significa, então, levar a sério toda a extensão da experiência humana, surpreender todos os aspectos da realidade, significa percorrer todo o itinerário que nos conduz da circunstância concreta ao reconhecimento do fundamento, do significado total, no fundo, do Mistério Divino presente.

A humanidade, no momento reforçada pela experiência da pandemia da Covid-19, está levantando questões muito sérias que tem a ver com a pessoa, para que encontre o significado e o gosto de viver; e com a sociedade, para que supere as gritantes desigualdades injustas e os desafios da corrupção e da violência. Diante dessas questões de fundo, volta novamente a eterna pergunta acerca da nossa esperança: o que é que podemos esperar? Uma Universidade Católica, neste sentido, é desafiada continuamente a se posicionar, no contexto dos seus conhecimentos e experiências, em que consiste verdadeiramente a esperança da humanidade.

Está esta esperança no desenvolvimento? Qual desenvolvimento? Novamente Bento XVI, Papa Emérito, na sua Encíclica de 2009, “Caritas in veritate”, lembrou que as causas do subdesenvolvimento não são principalmente de ordem material. E ele convida a lançar mão da razão dizendo que “são necessários pensadores capazes de reflexão profunda, em busca de um humanismo novo, que permita ao homem moderno o encontro de si mesmo”, pois, “a sociedade globalizada torna-nos vizinhos, mas não nos faz irmãos”. Ele critica a tendência da cultura moderna a rejeitar e menosprezar a caridade fraterna e a considerar que é decisiva a justiça social para o ser humano viver com dignidade.

A Universidade Católica, seus professores e estudantes, devem recolher o convite para entrar neste processo e contribuir para a construção de um novo humanismo, que possa enfrentar de maneira mais positiva os desafios de nosso tempo. Devem dar contribuições significativas para uma nova ciência e uma nova cultura que sejam frutos de uma reflexão crítica e sistemática sobre uma nova maneira de viver os diversos aspectos da existência cotidiana e de conviver com os outros. A universidade pode ser o lugar no qual o desafio de despertar a própria humanidade seja acolhido, para levar a sério as exigências mais profundas do coração que percebemos como desejos (de verdade, liberdade, justiça, realização humana, amar e ser amado). É o lugar onde é possível começar a usar a razão com audácia, tudo comparando com essas exigências, em busca daquilo que mais corresponde ao nosso coração. É o lugar onde é possível construir com liberdade cada dia e cada hora segundo o ideal dos valores evangélicos, que nunca deixarão de ser a Boa-Nova revolucionária para a humanidade de todos os tempos.

A Universidade Católica de Pelotas, nos seus 60 anos de existência, nunca deixou fora do seu sonho e de sua prática esta Boa-Nova. Que ela continue sendo o contínuo motor ao longo de todos os anos que ainda virão.

Dom Jacinto Bergmann, arcebispo de Pelotas e chanceler da universidade

ENTREVISTA | O conhecimento como ferramenta de transformação social

Entrevista

O conhecimento como ferramenta de transformação social

Fruto de um sonho ousado do terceiro bispo de Pelotas, Dom Antônio Zattera, a Universidade Católica de Pelotas completou 60 anos em 7 de outubro de 2020. A primeira universidade do interior do Rio Grande do Sul já formou mais de 40 mil profissionais. Hoje, estão espalhados pelo mundo, e muitos deles se tornaram referências em suas áreas de atuação.

O médico José Carlos Pereira Bachettini Júnior assumiu a reitoria da UCPel em janeiro de 2012. Prata da casa, possui graduação pelo curso de Medicina, residência médica em cirurgia do tórax e pós-graduação em administração hospitalar. Também foi diretor-geral do hospital da universidade entre os anos de 2003 a 2008. Foi ainda vice-presidente da Unimed-Pelotas e possui funções como membro do Comitê Técnico Disciplinar da Federação Unimed do Rio Grande do Sul.

Clique nas perguntas abaixo para conferir uma conversa com o reitor sobre os 60 anos da UCPel e os possíveis caminhos da educação no Brasil:

É de conhecimento público que, no início da sua gestão, a universidade enfrentava sérios problemas financeiros e administrativos. Quais foram as decisões tomadas que ajudaram a reverter o cenário negativo do período e que valorizaram a marca UCPel?
Em 2012, nós tínhamos uma volumosa dívida tributária e bancária, e essa dívida também não era muito bem trabalhada e aceita internamente, na comunidade acadêmica, e externamente, em Pelotas e região. O que se propôs naquele momento foi encarar a verdadeira situação. Para isso, nós trabalhamos todo um processo de auditagem da dívida e montamos um grande grupo para construir um plano estratégico de recuperação. Lembro que foram mais de 110 pessoas envolvidas nesse planejamento. O grande ponto era sobreviver a um cenário com o tamanho real da universidade, em que as suas receitas fossem suficientes para pagar os custos mensais e o endividamento. Foi feita uma projeção de fluxo de caixa por 20 anos, com várias variáveis nesse período, e se reestruturou a universidade para a questão da qualidade com sustentabilidade. Hoje se fala com uma certa tranquilidade sobre isso, mas foi um período muito difícil para a reitoria, para as equipes, professores, alunos… porque a UCPel tinha o real risco do encerramento das suas atividades. Com o passar do tempo, a universidade começou a ter superávit e triplicou o seu valor de mercado, de 2012, quando foi medido, para 2019. É um resultado interessante porque nos coloca de novo numa posição de trabalhar bem o presente sempre olhando o futuro da nossa tradição.
A educação é um dos setores que mais sofre no Brasil. Quais seriam alguns caminhos para reverter a situação do ensino no país?
Nós acreditamos que a educação é o único processo capaz de alavancar um país a um desenvolvimento equilibrado, sustentável e com justiça. O processo educacional é o que gera as oportunidades, sendo capaz de minimizar o distanciamento social e, principalmente, o distanciamento abissal que existe no Brasil hoje. Pontuar é difícil, mas eu acho que o grande problema do país é que não se trata a educação como uma política de estado. A educação só é lembrada nas vésperas das eleições, com planos educacionais para eleger o candidato. Depois disso, entramos no mesmo discurso que a educação tem ideologia, não é capaz de desenvolver, que a pesquisa é mal utilizada, que a extensão pode não existir… e acaba se abandonando um processo que é revolucionário. Talvez, por isso, que os políticos têm tanto medo dele. Nós vemos no cenário atual que estão cortando novamente o custeio da educação em prol do custeio da segurança nacional. Talvez se nós fossemos um povo muito mais educado, os processos de segurança também poderiam ser minimizados. Enquanto a educação brasileira não for tratada como um plano perene de estado, tenho muitas desconfianças sobre o futuro do nosso país.
A pandemia do novo coronavírus provocou sérios problemas financeiros para a população, o que deve aumentar de forma significativa a desigualdade social no país. Qual será o papel da extensão e das universidades comunitárias nesse cenário?
A extensão é fundamental, ainda mais numa universidade comunitária como a nossa. Eu vejo essa formação integral, que envolve o ensino, a pesquisa e a extensão, olhando diretamente para a necessidade das comunidades e colaborando na solução dos problemas loco-regionais, numa integração muito forte entre empresa, sociedade, governo e universidade. Não há outro caminho para uma universidade comunitária que não seja esse. Do contrário, a universidade vai ganhando um distanciamento do empresariado, da comunidade e da própria política de governo, seja ela do tamanho e da envergadura que for.
A pandemia também mostrou a importância da pesquisa, que, em nosso país, é realizada majoritariamente pelas universidades. Apesar dos vários cortes recentes, acreditas que a área pode voltar a ser estratégica?
Mesmo quando duvidamos da ciência, a pesquisa universitária de qualidade não sucumbe com o corte de verbas. A prova é que o empresariado brasileiro começa a investir na pesquisa – claro que frente a uma crise sanitária jamais vista. Novamente volta a questão da universidade, do governo, da sociedade e do empresariado, e o governo por mais que diga que vai cortar, em algum momento ele vai ter de atacar os grandes problemas nacionais através da pesquisa e vai precisar fazer o investimento necessário para que encontre soluções importantes para esses grandes problemas.
A pandemia incentivou às atividades remotas ou a distância. Como entendes o papel do ensino EAD na educação de nível superior?
O processo de apoio educacional mediado por tecnologia ganhou força e encurtou o tempo de experimentação e adaptação que o Brasil vinha fazendo. Iniciamos com uma educação a distância de pouca qualidade no país, mas no mundo todo o processo de educação com tecnologia é um sucesso, e é democrático, porque faz a educação chegar a qualquer ponto do país. Eu acredito muito no processo educacional mediado por tecnologia, talvez não 100% on-line, mas num sistema híbrido de educação. A pandemia está mostrando que isso é possível, apesar da maioria das universidades públicas e as escolas estarem paralisadas. Esse é um outro problema, porque teremos um sério apagão em consequência disso. Universidades como a nossa entram na contramão, porque resolvemos acreditar no investimento dos nossos alunos e concluir os calendários acadêmicos estabelecidos. Em pouco tempo, a UCPel virou a chave para o modo remoto. Já tinha uma base razoável para que isso acontecesse, e nós vemos que ao longo do tempo só vem melhorando, apesar do movimento estudantil pela baixa das mensalidades, já que acreditam que educação puramente presencial vale mais que a educação remota. Isso é uma nova discussão que temos de abrir. O processo educacional é um todo, não importa por onde aconteça, desde que seja robusto para ser eficiente e eficaz na transformação das pessoas.
Recentemente, a UCPel se tornou a maior escola médica do Estado, com a oferta anual de 180 vagas. Esse feito pode ser considerado uma reedição do sonho de Dom Antônio Zattera, quando pensou em criar o primeiro curso de Medicina no interior do Rio Grande do Sul?
É a continuidade do sonho de Dom Antônio Zattera. Mas, certamente, ele teve muito mais dificuldades naquele período em construir a universidade e o curso de Medicina do zero que a nossa equipe teve agora para obtenção desse aumento das vagas. Para consolidar o sonho de Dom Antônio, não basta ser a maior escola médica. O nosso projeto é ser a melhor escola médica. Esse é o nosso desafio. Só aí nós poderemos dar ao legado de Dom Antônio a medalha de ouro que ele merece.
Como definir os últimos 59 anos vividos pela UCPel?
O ponto é a tradição na educação. Nesses 59 anos, a UCPel cria um legado educacional sem precedentes para uma região pobre do Rio Grande do Sul. Essa tradição passa a gerar a sustentação da universidade num cenário da ampla expansão do ensino superior público e gratuito, pois temos as vagas da Universidade Federal de Pelotas, do Instituto Federal Sulrio-grandense, da Universidade Federal do Rio Grande e da Universidade do Pampa, em Bagé.Como justificar que uma universidade pequena, paga, pois não podemos esquecer que a UCPel é uma universidade privada – mesmo sendo confessional, católica, sem fins lucrativos, comunitária e tendo metade de suas vagas com bolsas e Prouni – o que justifica ela mantenhase firme? É a sua tradição, sua qualidade, e acho que essa é a grande fortaleza dos 59 anos. Esse cenário imposto pela expansão do ensino superior na nossa região, também pelas consolidadoras de diplomas que chegaram na nossa região, obrigaram a UCPel a se reinventar nesse processo para manter o seu quadro funcionante com bom número de alunos.
A associação da tradição, inovação e gestão sustentável é considerada um dos pontos altos da atual administração. Como foi possível fazer essa fórmula dar certo?
Eu acrescentaria ainda a qualidade. Lutamos muito por qualidade, não abrimos mão dela mesmo nos piores momentos. A fórmula é simples. Conseguimos compor um grande time, um time jovem, que, nos primeiros momentos, sofreu pela imaturidade, mas tinha o vigor da juventude, o pensamento rápido e as habilidades que só um jovem consegue ter. Foi ganhando maturidade e experiência no decorrer dessa caminhada, garantindo a transparência dos nossos números financeiros e das ações desse plano. Montou-se um time vitorioso. Talvez seja esse o grande legado que deixarei como reitor. É uma equipe que tem idade para continuar trabalhando os rumos da UCPel por muito tempo.
Qual o papel que a UCPel terá nos próximos 60 anos?
É continuar transformando por um projeto pedagógico inovador, formando líderes éticos e, principalmente, pessoas colaborativas na sua comunidade. Nunca esquecendo seu real tamanho. Toda vez que a universidade esquecer que ela precisa se manter no seu tamanho, de número de alunos, de capacidade de absorver o mercado da região no processo educacional, ela pode voltar a encontrar sérias dificuldades.
O que significa, para o senhor, ser reitor da Universidade Católica de Pelotas?
Significa a grande honra da minha vida. Um médico, cirurgião e com trabalho sempre dedicado à saúde, ser galgado a reitor da universidade em que realizei minha formação. Foram momentos muito difíceis. Talvez não tenha me sentido reitor ainda, até hoje, apesar dessa honraria, me considero mais um gestor de crise, que enfrentou 280 milhões de endividamento do que um propriamente um reitor. Não consegui curtir o reitorado nesse período porque todo dia, além de apagar um incêndio, tinha que construir essa esteira de planejamento consciente para que a universidade tivesse um futuro realmente interessante dentro da nossa sociedade.
SAÚDE | Vocação para ensinar atendendo à comunidade

Saúde

Vocação para ensinar atendendo à comunidade

Com hospital próprio, clínicas odontológicas, psicológica e de fisioterapia, gerência de seis Unidades Básicas de Saúde (UBS) e tratamento médico ambulatorial em diferentes especialidades, a Universidade Católica de Pelotas (UCPel) é responsável por cerca de 60% dos atendimentos SUS de Pelotas e região. Tal compromisso faz com que a instituição fortaleça sua vocação para a assistência, principalmente no âmbito da saúde.

A prática acadêmica de cursos como Medicina, Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Odontologia e Psicologia se reverte diariamente em serviços à comunidade. “Temos como lema ‘ensinar fazendo’ e, desta maneira, nossos professores e estudantes realizam atividades em todos os níveis do sistema de saúde”, salienta a diretora do Centro de Ciências da Saúde, Moema Chatkin.

Através de diferentes locais, considerados como “cenários de aprendizagem”, os estudantes se inserem na realidade de certas comunidades, identificam suas necessidades e propõem ações de resolução. “É uma visão completa, sendo mais que atenção em saúde, é educação em saúde”, afirma a coordenadora do curso de Medicina, professora Regina da Silveira.

Das UBS’s nos bairros ao Hospital Universitário São Francisco de Paula (HUSPF), a presença da UCPel faz com que a população se beneficie através de diversos serviços contratualizados pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS). “Somos o maior parceiro do gestor público na promoção, atenção e regulação da rede assistencial de saúde”, comenta o diretor do hospital, Edevar Machado Júnior.

Mais atendimentos são desenvolvidos por meio de programas, projetos e atividades de extensão universitária, como o Atenção Materno-infantil nos Serviços de Saúde, Projeto Salvar, Atenção Odontológica Hospitalar, O Cuidado é o Segredo e Atenção Fisioterapêutica na Comunidade. Toda essa gama de serviços constitui uma engrenagem que alia formação profissional e assistência qualificada.

“Sendo a saúde uma necessidade premente da população, assim como segurança e educação, a UCPel não vê possibilidade de se ausentar da construção desses pilares da sociedade, não apenas na promoção da saúde física, mas também espiritual, psicológica e no que diz respeito ao bem-estar social”, comenta a coordenadora da Medicina.

A vocação da UCPel enquanto universidade comunitária pode ser observada nos inúmeros atendimentos desempenhados em seu amplo complexo de saúde.

Enquanto cumpre o papel de instituição de ensino e pesquisa, a UCPel realiza uma obra social. É exatamente esta integração de ensino, pesquisa e assistência que faz da Católica de Pelotas uma referência tanto no ensino médico quanto no ensino nas demais áreas da saúde”, pontua Machado.

DIA A DIA NOS BAIRROS
A UCPel cuida da saúde de, aproximadamente, 38 mil usuários do SUS que vivem nas zonas de abrangência das seis UBS’s que administra em Pelotas: Areal 1, Caic-Pestano, Py Crespo, União dos Bairros, Sanga Funda e Fátima.

O serviço é voltado para ações da Atenção Primária, considerada a porta de entrada do usuário ao SUS e envolve prevenção, diagnóstico, tratamento, reabilitação, redução de danos e manutenção da saúde.

Onze equipes formadas por professores e alunos são responsáveis por uma média de 50 mil atendimentos anuais. O número, segundo o coordenador do Núcleo de Saúde Coletiva da UCPel, Cayo Lopes, corresponde a mais de 10% da população total da cidade.

COM FOCO NAS ESPECIALIDADES
O Campus da Saúde, também chamado de campus Dr. Franklin Olivé Leite, localizado no bairro Três Vendas, concentra os serviços voltados à Atenção Secundária através das clínicas de Psicologia, Odontologia, Fisioterapia e ambulatórios médicos. São realizadas cerca de seis mil consultas mensais para usuários do SUS, sendo 1,2 mil atendimentos em fisioterapia, 2 mil em psicologia e 2,7 mil consultas médicas.

Os serviços ambulatoriais oferecem atendimento em diversas especialidades, entre elas ginecologia, pediatria, cardiologia, pneumologia, neurologia, endocrinologia, gastroenterologia, otorrinolaringologia, clínica médica e cirúrgica. O serviço é contratado anualmente pela SMS, que realiza o agendamento das consultas.

UM HOSPITAL DE TODOS
Com mais de 60 anos de atuação, o Hospital Universitário São Francisco de Paula assiste todas as áreas fundamentais do conhecimento médico (Ginecologia e Obstetrícia, Clínica Médica, Pediatria, Cirurgia Geral), com destaque para procedimentos em média e alta complexidade nas áreas de Neurologia, Neurocirurgia, Terapia Renal Substitutiva e Cirurgia Vascular.

Embora o HUSFP tenha conquistado a credencial de hospital geral pelo seu amplo conjunto de atividades, um dos principais reconhecimentos é na área materno-infantil. “Lidamos com mais da metade da demanda por Tratamento Intensivo Neonatal através da nossa UTI Neo, e contamos com a única UTI Pediátrica da região”, salienta Machado.

O HU também incorpora o maior laboratório de análises clínicas da Zona Sul do estado. Dispõe ainda de modernos equipamentos de imagem que satisfazem a necessidade institucional, incluindo serviços de Endoscopia Digestiva e Respiratória, Ultrassonografia, Exames de Traçado e Radiografia.

Enquanto rede de saúde, o HUSFP incorpora o Pronto Socorro de Pelotas (PSP), que utiliza da estrutura e retaguarda do hospital, como Bloco Cirúrgico, Farmácia, TI, Pronto Atendimento Adulto e Ginecológico, Serviço de Diálise, Recursos Humanos, Serviço de Nutrição e Dietoterapia, entre outros.

“O São Francisco assume papel de vital relevância para a existência do único serviço de urgência e emergência de uma região inteira, que abrange uma população de quase um milhão de habitantes”, frisa o diretor do hospital.

MAIOR ESCOLA MÉDICA DO RS
Em 2018, com autorização do Ministério da Educação (MEC), a UCPel se tornou a maior escola médica do Rio Grande do Sul, ampliando seu número de vagas anual de 100 para 180 alunos no curso de Medicina. “Aumentou não só a responsabilidade da instituição com a sociedade, mas também o desafio em fazer esse crescimento quantitativo manter o padrão de qualidade que a UCPel sempre prezou desde sua fundação”, aponta Lopes.

O resultado começará a aparecer para a comunidade em 2021, quando os acadêmicos das primeiras turmas pós-ampliação devem atender nos ambulatórios. “Possivelmente, teremos aumento de 75% na Atenção Secundária. Também estamos adequando a estrutura acadêmica de professores e ambientes de educação conforme o curso evolui”, destaca a coordenadora de Medicina.

PESQUISA | Contribuição à formação do pensamento científico na região sul

Pesquisa

Contribuição à formação do pensamento científico na região sul

Desde a década de 1990, os programas de pós-graduação stricto sensu da Universidade Católica de Pelotas (UCPel) impactam na formação e no desenvolvimento do pensamento científico no extremo sul do Brasil. Mais de mil mestres e doutores atuam hoje em dia em diversas universidades gaúchas, brasileiras e estrangeiras, bem como em instituições e empresas, replicando a formação da opinião e da crítica científica junto às suas comunidades.

Também no cenário nacional, a UCPel é reconhecida por sua produção científica. Especialmente, destaca-se na área de pesquisa em medicina translacional.

“Transitamos entre estudos in vitro para estudos clínicos aplicados na área da saúde, assim como desenvolvemos projetos de pesquisa direcionados à saúde da população”, comenta a coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Saúde e Comportamento (PPGSC), Gabriele Ghisleni.

O corpo docente do PPGSC atua em diferentes subáreas. Engloba pesquisas em saúde materno-infantil, transtornos psiquiátricos, doenças renais, doenças neurodegenerativas, composição corporal, genodermatoses, microscopia, biomarcadores associados a doenças psiquiátricas e neurodegenerativas, psiquiatria genética, biologia celular e molecular.

Na área do serviço social, o Programa de Pós-Graduação em Política Social e Direitos Humanos (PPGPSDH) possui estreita relação com a comunidade. Relação essa que nasce e se fortalece a partir de pesquisas voltadas à transformação da realidade social. De acordo com a coordenadora do PPGPSDH, Aline Mendonça, além desse, mais três itens demonstram a relevância do programa à região: ser o único a tratar da área de Políticas Sociais e Direitos Humanos, sua perspectiva interdisciplinar e a vocação para estudos voltados à região de fronteira, desenvolvidos através do diálogo com outros países.

Além dos dois programas, a UCPel conta ainda com mais dois mestrados: o Profissional em Saúde no Ciclo Vital (MPSCV) e o Engenharia Eletrônica e Computação (MEEC). Conforme o coordenador de Pesquisa e Pós-Graduação Stricto Sensu da UCPel, Ricardo Pinheiro, o MPSCV tem expertise em saúde pública, sendo voltado para profissionais integrantes do Sistema de Saúde. Já o MEEC possui associação com a UFRGS, e tem foco no desenvolvimento de sistemas eletrônicos e computacionais.

“(…) Esse é um impacto muito importante, pois modifica a forma de ver e de pensar o mundo”
Coordenador de Pesquisa e Pós-graduação, Ricardo Pinheiro

DÉCADAS DESTINADAS À PESQUISA
A pesquisa da UCPel cresceu e se desenvolveu conjuntamente com as políticas nacionais para a área. Nos anos 1990, iniciou um movimento de incentivo à abertura de mestrados e doutorados em todo o Brasil. “Em 1993, 1994, a UCPel caminhou para isso. Na época, dois núcleos começaram a trabalhar, o Núcleo de Letras e o de Saúde Mental, hoje Saúde e Comportamento”, lembra Pinheiro.

Até então, a pesquisa era dispersa na Universidade e dependia do pesquisador. O primeiro passo para que isso mudasse foi a criação de um Conselho Científico. “A partir daí, surgiu o stricto sensu e começaram a existir políticas de incentivo com maior remuneração para docentes com mestrado e doutorado”, completa.

A partir de 2000, com o aporte de órgãos voltados ao financiamento científico, dois mestrados da UCPel são reconhecidos e a pesquisa começa a ganhar corpo. Na avaliação de Pinheiro, a UCPel foi e é fundamental para a formação do pensamento científico regional. “Uma das principais formas de fazer pesquisa é através do ensino da leitura de artigos e do entendimento da ciência como um todo. Esse é um impacto muito importante, pois modifica a forma de ver e de pensar o mundo”, diz.

 

DESTAQUE EM INDEXADORES
Nos últimos anos, a produção científica da UCPel vem obtendo destaque em listas feitas por publicações como Folha de São Paulo e editora Abril. Também tem sido reconhecida por subsequentes avaliações da CAPES.

Isso ocorre devido ao número representativo de artigos publicados, lidos e citados. “É possível mensurar o impacto de uma ideia quando ela começa a ser repetida. A presença nesses rankings comprovam que a nossa produção é relevante”, explica o coordenador.

Os grupos de pesquisas existentes na UCPel também são valorizados pela comunidade nacional, através da participação em Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia. Ainda existe parcerias com grupos norte-americanos, latinoamericanos e europeus.

LABORATÓRIO DE PONTA
É no Laboratório de Neurociências Clínicas que ocorre o desenvolvimento de técnicas de biologia molecular, bioquímicas e cultivo celular. Com mais de três milhões de reais em equipamentos, obtidos em grande parte via Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), o espaço é responsável por estudos no âmbito da pesquisa translacional, que vão desde estudos in vitro a análises de amostras biológicas de origem animal e clínicas. “As amostras biológicas processadas no Laboratório têm origem no desenvolvimento de projetos que englobam modelos animais ou de estudos epidemiológicos”, informa Gabriele.

Para atender demanda recente provocada pela pandemia do novo coronavírus (Covid-19), o PPGSC mobilizou esforços através de sua estrutura física e de pessoal. Um novo laboratório de diagnóstico especializado em biologia molecular foi criado para atender a demanda regional no diagnóstico da Covid-19. “Além do reconhecimento científico apontado nas publicações em revistas reconhecidas na comunidade científica mundial, o programa vislumbra um crescimento de suas ações no âmbito regional e internacional”, finaliza Gabriele.

EXTENSÃO | Mãos dadas com a comunidade

Extensão

Mãos dadas com a comunidade

A relação entre universidade e sociedade se estabelece também através da extensão. No Brasil, é considerada um dos pilares do processo educacional dentro de uma instituição de ensino superior, junto do ensino e da pesquisa. Sua função é realizar a aplicação do conhecimento científico diretamente na comunidade. A Universidade Católica de Pelotas (UCPel) tem a extensão como uma de suas vocações.

“Está expresso, inclusive, na nossa visão institucional, que a UCPel se propõe a transformar a região em que está inserida, promovendo um desenvolvimento social, econômico, ambiental e sustentável”, comenta o coordenador do Escritório de Desenvolvimento Regional (EDR), Ezequiel Megiato. Tais atividades ocorrem através de projetos e programas vinculados aos cursos de graduação e pós-graduação.

O empenho na extensão é fortificado pelo fato da UCPel ser uma universidade comunitária, ou seja, voltada para ações educacionais de caráter social. Embora particular, não possui fins lucrativos. Sua receita é destinada às atividades de educação e assistência, tendo a extensão como o braço da instituição que promove inclusão digital, atendimento gratuito em clínicas e hospitais, incubação de cooperativas, assistência jurídica, entre outros serviços.

“Os projetos e programas de extensão são vitais para a existência da universidade, sendo relevantes nas suas áreas de atuação”, diz o coordenador do EDR. Muitos cursos garantem a prática da profissão através de atividades extensionistas permanentes, o que concede uma formação mais completa aos estudantes. É fundamental que cada projeto e programa de extensão atue em contato direto com a comunidade, seja no centro ou nos bairros, dentro ou fora de Pelotas.

“Tudo faz parte da nossa comunidade, enquanto cidade pertencente da Zona Sul do Estado”, acredita Megiato.

FAZENDO HISTÓRIA
A UCPel possui tradição quando o assunto é extensão universitária. São vários projetos e programas que possuem trajetórias marcantes. Alguns deles apresentam décadas dedicadas ao serviço para a população, como o Atenção Fisioterapêutica na Comunidade, coordenado pelo professor Flaviano da Silva; e Educação na Comunidade, sob responsabilidade do professor Daniel Botelho, do curso de Pedagogia.

Um dos mais antigos programas ainda ativos é o Centro de Extensão em Atenção à Terceira Idade (Cetres), coordenado pelo psicólogo Hartur Torres da Silva. Em 2020, o Cetres completou três décadas de atuação. Funciona a partir da oferta de inúmeras oficinas direcionadas para pessoas com mais de 50 anos, ministradas por monitores voluntários e alunos da UCPel.

A aposentada Zeli Sant’Anna, 61, é uma das participantes. Ao longo de dez anos, realizou cursos de idiomas e ainda fez diversas amizades.

“O espanhol que aprendi no Cetres me abriu as portas do mundo. Nem sonhava conhecer tantos lugares. O segredo para ser feliz é não ter vergonha de curtir a vida”, conta.

Outra história marcante na UCPel é a do Núcleo de Economia Solidária e Incubação de Cooperativas (Nesic), coordenado pelo professor Renato Della Vechia. Criado em 1999, o programa apoia a formação, a estruturação e a consolidação de empreendimentos produtivos ligados à economia solidária, mediante o intercâmbio entre o saber popular e o universitário.

“O Nesic se mantém por tanto tempo devido a sua relevância junto à sociedade, contribuindo para o desenvolvimento ao incentivar uma nova forma de consumo, mais sustentável e conectada às necessidades das pessoas”, avalia a bolsista do programa, Graciele Cardozo. Atualmente, as atividades estão vinculadas às redes Bem da Terra e Reciclar, além de incubação em parceria com a Comunidade Terapêutica Casa do Amor-Exigente (CAEX).

TRANSFORMAR A REALIDADE

Como é possível perceber, a extensão funciona sob um sistema de troca de experiências. “É importante tanto para os alunos e professores, que aplicam a teoria através de atividades práticas, quanto para as comunidades locais, cujas demandas são atendidas”, comenta a pró-reitora acadêmica da UCPel, Patrícia Giusti.

Atuam mais de 200 alunos e 100 colaboradores em 25 projetos e programas de extensão, cujo impacto social é mensurado em aproximadamente 50 mil pessoas.

“Ao desenvolver ações que visam contribuir com diferentes comunidades, a Católica está agindo para trabalhar o desenvolvimento humano, a partir de necessidades que são importantes para nossa cidade e região”, destaca Patrícia.





GESTÃO | Os avanços de uma gestão remodelada

Gestão

Os avanços de uma gestão remodelada

Gestão. A palavra é pequena, mas responsável por grandes transformações, especialmente quando ocorre em sinergia com um grupo de lideranças. Pode-se dizer que a estratégia orçamentária associada a uma estrutura organizacional mais fluida alterou o cenário vivido pela Universidade Católica de Pelotas (UCPel) nos últimos anos.

Depois de lidar com uma inadimplência beirando os 60 por cento e sem fluxo de caixa no ano de 2010, a instituição hoje vive um momento mais confortável, o que possibilitou tanto enfrentar a crise econômica provocada pela pandemia do novo coronavírus quanto planejar os próximos passos rumo ao futuro.

À frente da reitoria da UCPel desde 2012, José Carlos Pereira Bachettini Júnior lembra que a primeira iniciativa da sua gestão foi encarar a dívida tributária e bancária de frente. Após, foi montado um plano estratégico de recuperação, em que a projeção do fluxo de caixa pelos próximos 20 anos levou em consideração possíveis variáveis no período. “Com o passar do tempo, a universidade começou a ter superávit e triplicou o seu valor de mercado”, lembra o reitor.

Nessa caminhada, um ponto importante foi operação de reestruturação de crédito entre a Associação Pelotense de Assistência e Cultura (APAC), mantenedora da UCPel, e o Banrisul, ocorrida em 2017. Tão importante quanto vem sendo a continuidade da operação.

“O cenário muda e o mercado é muito dinâmico. A revisão constante do planejamento estratégico vem permitindo nos manter competitivos, principalmente agora nesse momento de crise”,
Pró-Reitora Administrativa, Ana Maria Hackbart

A administradora passou a liderar a Pró-Reitoria Administrativa em 2018. Entretanto, trabalha na universidade desde 2009, atuando em setores administrativos e de planejamento, experiência que a fez entender os principais problemas estruturais enfrentados. “Com o convite, eu resolvi aceitar mais um desafio. Refleti sobre o que eu gostaria para a área administrativa: desenvolvimento de pessoas, sustentabilidade, inovação e organização de processos”, lembra.

Uma das áreas que mais ganhou visibilidade foi justamente a voltada aos colaboradores, com a estrutura organizacional de pessoas sendo constantemente desenvolvida. O incentivo ao trabalho em conjunto, associado a uma hierarquia bem definida, vem contribuindo positivamente para o engajamento, motivação e comprometimento das equipes.

A busca por novas lideranças, com maior autonomia para a atuação, também fez parte do processo de reestruturação. “Acredito na gestão feita com coragem e estratégia. Isso trouxe o dinamismo e a velocidade que precisávamos no dia a dia, além de também contribuir para um ambiente de trabalho mais feliz”, explica a pró-reitora administrativa.

APLICABILIDADE DIÁRIA DO ORÇAMENTO
A estruturação de um novo projeto de gestão, o qual conferiu maior atenção ao orçamento via fluxo de caixa, possibilitou equalizar a receita com a despesa. Com as contas em dia, tornou-se viável voltar a investir em obras de infraestrutura. De acordo com a pró-reitora, a preocupação com a aplicabilidade do orçamento evoluiu muito. “O resultado vem quando se raciona, se otimiza e se utiliza o recurso de forma consciente”, comenta.

A gestão real dos recursos disponíveis no dia a dia da tomada de decisão foi o grande responsável pelo processo de evolução no gerenciamento da universidade. Conforme Ana Maria, a partir de então, a nova meta passou a ser modernizar a estrutura com um todo, sem perder a essência da instituição. Na mesma linha da reestruturação de espaços, o investimento em tecnologia e inovação também foi significativo. “Estamos criando ambientes mais funcionais, mais visuais, e oferecendo a adequação necessária às tecnologias atuais”, pontua a pró-reitora.

Outro grande feito do período foi a aquisição de um sistema de gestão com entrega de informações em tempo real. A partir desta ferramenta, ainda em processo de implantação, será possível reunir dados de diversas áreas, o que deverá facilitar a tomada de decisão. Para além da gestão, o aluno será o grande beneficiado com o novo sistema que possibilitará a realização de uma série de solicitações de forma on-line.

CARA NOVA
Quem frequenta diariamente os campi da UCPel pode ver de perto a rápida transformação pelo qual passaram muitos ambientes. No Campus Saúde, foram inúmeras melhorias, como a construção de três novas clínicas odontológicas, ampliação e construção de novos consultórios médicos, reforma total da Clínica de Fisioterapia, entre outras ações.

No Campus I, quatro novos espaços no saguão ganham destaque: o Memorial Dom Antônio Zattera, o Lounge, o Espaço Mundo e o novo deck (ainda não inaugurado devido à pandemia do novo coronavírus). Junto da equipe do Escritório Modelo de Engenharia e Arquitetura (EMEA/UCPel), ficou definido que ambientes clean e dinâmicos seriam a melhor aposta para atender às atuais necessidades da comunidade acadêmica.

“Todas as nossas intervenções visam modernizar sem perder a essência. Cada vez mais queremos oferecer espaços confortáveis, modernos e que atendam às necessidades dos nossos alunos”, frisa a pró-reitora.

Aliada à criação de novos ambientes, a manutenção dos prédios, prejudicada nos anos anteriores devido a escassez de recursos, voltou a ser realizada.

O trabalho com estratégia, conhecimento da situação financeira e controle minucioso do que é feito qualificou as perspectivas para o futuro. “Acreditamos em um processo de gestão muito bem estruturado e organizado. Especialmente, executado pela equipe consolidada que hoje nós temos”, finaliza a pró-reitora.


Memorial Dom Antônio Zattera
Espaço Mundo
Reformas no Laboratório de Informática
Laboratório de Práticas Odontológicas II

HISTÓRIA | Precursora do ensino universitário no interior do Estado

História

Precursora do ensino universitário no interior do Estado

A criação da Universidade Católica de Pelotas (UCPel) foi responsável por alterar os rumos de toda uma região. Ao chegar a Pelotas, Dom Antônio Zattera – terceiro bispo da Diocese, que na época também abrangia as cidades de Rio Grande e Bagé – fundou os alicerces que futuramente tornariam o extremo sul do estado em um reconhecido polo educacional.

Na década de 1950, somadas às cidades vizinhas, moravam na região mais de um milhão de habitantes, ainda com muito pouco acesso ao ensino superior. Os novos tempos exigiam profissionais com conhecimento para a promoção do tão sonhado progresso. Junto a isso, a grande necessidade de formar professores para atuação em escolas do ensino fundamental e médio.

Foi nesse cenário, mais precisamente no ano de 1953, que Dom Antônio criava a Faculdade Católica de Filosofia, voltada à formação do magistério de nível fundamental e médio. Dela, junto à associação de outras faculdades, incluindo as das cidades de Rio Grande e Bagé, nascia, em 7 de outubro de 1960, a Universidade Católica Sul-Rio-Grandense de Pelotas, a primeira localizada no interior do Rio Grande do Sul, e a terceira do estado

 

Linha do Tempo

1950

Década de 50

Na década de 1950, somadas às cidades vizinhas, moravam na região mais de um milhão de habitantes, ainda com muito pouco acesso ao ensino superior. Os novos tempos exigiam profissionais com conhecimento para a promoção do tão sonhado progresso. Junto a isso, a grande necessidade de formar professores para atuação em escolas do ensino fundamental e médio.

Foi nesse cenário, mais precisamente no ano de 1953, que Dom Antônio criava a Faculdade Católica de Filosofia, voltada à formação do magistério de nível fundamental e médio. Dela, junto à associação de outras faculdades, incluindo as das cidades de Rio Grande e Bagé, nascia, em 7 de outubro de 1960, a Universidade Católica Sul-Rio-Grandense de Pelotas, a primeira localizada no interior do Rio Grande do Sul, e a terceira do estado.

1960

Década de 1960

Por englobar faculdades em outros municípios, foi escolhido o nome de Universidade Católica Sul-RioGrandense de Pelotas. Cerca de dois anos mais tarde, com a desvinculação de unidades, acabou simplificado para Universidade Católica de Pelotas. As faculdades criadas por Dom Antônio foram contribuições imprescindíveis para a formação da Universidade de Rio Grande e Fundação Universitária de Bagé. Em menos de três anos da sua fundação, o curso de Medicina (1963), antiga aspiração da sociedade, saia do papel. Até a década de 1970, a Católica cresceu de forma acelerada, com os novos cursos de Serviço Social e Ciências Contábeis (1962), Administração e Engenharia Civil (1968). Recebeu ainda o presidente Marechal Arthur Costa e Silva para aula inaugural em 1968.

1970

Década de 1970

Da década de 1970 a 1980, são criados os cursos de Farmácia e Bioquímica, Psicologia, Enfermagem, Engenharia Elétrica e Ciências Religiosas. Entretanto, a compra do então Hospital Francisco Simões para se tornar hospital Universitário, foi, sem dúvida, o grande feito do período. Em 1979, começou a construção de nova ala do Campus I.

1980

Década de 1980

Os anos 1980 e 1990 foram marcados pela consolidação e sobrevivência financeira. O cenário político nacional era desafiador, uma vez que a alta inflação contribuiu para o declínio das matrículas. Mesmo com dificuldades, a UCPel conseguiu crescer. O local que abrigava o Colégio Diocesano tornou-se o Campus II. Novos espaços foram construídos: a ala quatro do Campus I, assim como a duplicação da área do Hospital Universitário. Começam a funcionar os cursos de Química, Tecnologia em Processamentos de Dados e o Instituto Superior de Teologia Paulo VI.

1990

Década de 1990

1990 marca o começo das aulas do curso de Direito; 1991 com Ciência da Computação, Arquitetura e Urbanismo, Engenharia Elétrica/ Eletrônica; 1995 é a vez da Ecologia. Em 1996, o hospital da UCPel passa a denominar-se Hospital Universitário São Francisco de Paula (HUSFP). O período fica marcado também pelo planejamento estratégico, assim como o incentivo a atividades de pesquisa e extensão. Em 1999, tem início as transmissões, por cabo, da TV Criativa, canal universitário de televisão da UCPel. A partir da realização de um fórum de turismo, começa a ser idealizado o curso de Turismo da instituição. Também é criado os cursos sequenciais de Secretariado Organizacional – Formação Trilíngue e Turismo Cultural. A pós-graduação cresce em quantidade e qualidade. Nessa década, 27 cursos de graduação eram oferecidos.

2000

Década de 2000

A expansão da pós-graduação segue forte nos anos seguintes. São reconhecidos pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), órgão do Ministério da Educação, os mestrados e doutorados em Letras e Saúde e Comportamento. Em 2003 é criado projeto de qualificação de serviços, capacitação de mão de obra, expansão de área física e busca pela sustentabilidade na área da saúde. No mesmo ano, tem início o planejamento estratégico no hospital da UCPel. No ano de 2005 a UCPel obtém autorização para funcionamento dos mestrados em Política Social e Ciência da Computação. Começaram a funcionar os cursos de Fisioterapia, Enfermagem, Tecnologia em Design de Moda, Tecnologia em Gestão de Turismo, Tecnologia em Produção Fonográfica e Tecnologia em Gestão Hospitalar. Um dos grandes feitos do período foi a compra do complexo do antigo Hospital Olivé Leite (hoje Campus Saúde), uma área de 4,5 hectares em plena zona urbana da cidade e que hoje abriga a grande parte dos cursos de graduação da área da saúde. A UCPel também compra o antigo Colégio Santa Margarida. Em 2008, a estrutura acadêmico-administrativa da UCPel ganha nova forma, com a criação dos centros. A década encerra com a aprovação de um novo estatuto e com Dom Jacinto Bergmann como chanceler da instituição.

2010

Década de 2010

O período vem sendo de readequação da estrutura e significativo aumento no valor de mercado da UCPel. A renegociação da dívida tributária e bancária permitiu à Universidade voltar a investir na qualificação da sua infraestrutura. Nos último anos, a parceria com a Mais Campus possibilitou a ampliação das opções de cursos na modalidade a distância (EAD). Atualmente, são ofertados cerca de 20 cursos de graduação e 40 de pós-graduação lato-sensu. Em menos de três anos, o EAD da UCPel levou educação para mais de mil alunos. Outra grande conquista do período foi a autorização do MEC para a abertura de mais 90 vagas no curso de Medicina. Devido a isso, a UCPel se tornou a maior escola médica do Estado, com a oferta anual de 180 vagas em seu vestibular de verão!

CITAÇÕES | 60 anos de atuação conjunta com autoridades

Citações

60 anos de atuação conjunta com autoridades

A parceria da UCPel com o poder público, com a sociedade civil e com a iniciativa sempre gerou muitos frutos positivos para Pelotas e região. São inúmeras lideranças que encontraram na Universidade o apoio necessário à execução dos mais variados projetos. Algumas delas, juntaram-se à festa do jubileu de diamante e enviaram uma mensagem:

Eduardo Leite - Governador do RS
Eduardo Leite, Governador do RS

“O aniversário dos 60 anos da UCPel é uma oportunidade ímpar para a região sul e para todo o estado expressar o reconhecimento e o orgulho pelo trabalho desenvolvido na nossa comunidade. Tenho uma carinho muito especial pela UCPel porque eu pude acompanhar vários capítulos da construção da história da instituição, como a fundação do curso de Direito, que teve a participação do meu pai; e ainda quando tive a honra de ser prefeito de Pelotas, tendo a oportunidade de trabalhar em conjunto com a universidade em vários projetos muito importantes para o município, como o reforço na estrutura do Pronto Socorro, por exemplo. A UCPel é um exemplo de superação e resistência, sendo fundamental para o desenvolvimento da região sul. Por isso, deixo meus parabéns a toda a comunidade acadêmica por essa data muito especial”.

Carmen Lúcia de Lima Helfer, Presidente da Comung e Reitora da Unisc

“A UCPel foi precursora no Rio Grande do Sul como a primeira universidade do interior do estado. As nossas instituições, como a UCPel, têm uma vocação regional para o desenvolvimento social, político, educacional, econômico e histórico. Temos um grande compromisso não só com a transformação de pessoas através de uma formação profissional e cidadã, mas também com a transformação das instituições públicas e privadas que estão no nosso contexto. Desejo à UCPel e à toda comunidade vida longa, vida saudável, e que o futuro seja brilhante e próspero”.

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Pedro Rodrigues Curi Hallal, Reitor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel)

“É com muito orgulho que me dirijo ao querido reitor Bacchetini e à toda comunidade da UCPel para lhes felicitar pela passagem dos 60 anos. A marca de cidade universitária hoje ostentada por Pelotas é fruto dessas muitas décadas de parceria entre a Universidade Federal de Pelotas e a UCPel. Nos últimos anos, nossos laços institucionais foram fortalecidos, e espero que a parceria UFPel/UCPel siga proporcionando benefícios para a população de Pelotas e da região”.

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Paula Mascarenhas, Prefeita de Pelotas

“Quero cumprimentar a UCPel pela passagem dos seus 60 anos. Cumprimentar o reitor, sua equipe, diretores, professores, alunos e funcionários desta grande instituição de ensino comunitária. A UCPel forma com qualidade, presta serviços de extrema relevância para o nosso município e participa da vida social e econômica de toda uma região. Parabéns UCPel, que venham mais 60 anos de muita inserção na comunidade, de muita educação e muito conhecimento e trabalho pelo desenvolvimento de Pelotas e da Zona Sul”.

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André Godoy, Diretor Superintendente do SEBRAE / RS

“Como aforismo, quem educa liberta, e inspirado na obra de Dom Antônio Zattera, quero em nome do SEBRAE Rio Grande do Sul trazer nossos efusivos cumprimentos ao reitor Bachettini e ao arcebispo Dom Jacinto Bergmann pelos 60 da UCPel, uma instituição de ensino que ao longo da sua história tem trazido luz para os nossos jovens e futuro para a nossa sociedade. O SEBRAE/RS como parceiro da UCPel tem participado dessa trajetória exitosa”.

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Flávio Luis Barbosa Nunes, Reitor do IFSul

“Quero parabenizar à comunidade acadêmica da UCPel quando festeja seus 60 anos de existência. Ao longo desse período, sempre trouxe qualidade na educação e contribuiu para o desenvolvimento de Pelotas e região. Eu fui egresso dessa instituição, quando no longínquo ano de 1988, me formei na segunda turma do curso de Processamento de Dados, então tenho um carinho muito especial por essa instituição. Quero desejar que venham muitos e muitos anos pela frente, sempre de muito sucesso e de muita qualidade na oferta de educação”.

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Cleuza Maria Sobral Dias, Reitora da Universidade Federal do Rio Grande (FURG)

“Quero parabenizar e demonstrar o reconhecimento à UCPel que completa 60 anos, a instituição mais antiga de ensino superior do interior do Estado, pensada e criada por um grande visionário, Dom Antônio Zattera, que também contribuiu para a criação da Furg. Então, somos um pouco filho da UCPel. Quero demonstrar o meu reconhecimento ao reitor Bachettini e ao arcebispo Dom Jacinto Bergmann e à toda comunidade que integra essa importante instituição de ensino superior. Vida longa à UCPel”.

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Antônio Carlos de Carvalho Bacchieri Duarte, Empresário e Coordenador da Aliança Rio Grande

“A UCPel tem um papel importantíssimo no desenvolvimento cultural do nosso Estado. Pela instituição, passaram grandes lideranças, grandes profissionais. Desejo à UCPel vida longa e muito sucesso”.

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Mauro Bom, Presidente da Associação Comercial de Pelotas

“Há 60 anos, o sonho de fundar uma universidade em Pelotas se tornou realidade. Dos ideais de um homem, nascia uma universidade referência na Zona Sul. Pelos corredores, escadas e salas, muitos brasileiros tornaram seus sonhos em realidade. Em cada degrau, aprendemos novos conhecimentos, fizemos novos amigos e reforçamos nossos valores. Parabéns UCPel pelos 60 anos de sonhos e de muitas realizações”.

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Amadeu Fernandes, Presidente do Centro das Indústrias de Pelotas (Cipel) e Coordenador da Aliança Pelotas

“A Aliança Pelotas e o Centro das Indústrias de Pelotas (Cipel) felicitam a UCPel pelos seus relevantes serviços educacionais, ao completar 60 anos de atividades. Parabenizamos também o reitor, a direção e os colaboradores da instituição que nesses 60 anos formaram dezenas de milhares de profissionais que contribuem para o crescimento de nosso país. Parabéns, mais uma vez!”

IMPACTO FINANCEIRO | Importância da UCPel para o desenvolvimento econômico da região

Impacto financeiro

Importância da UCPel para o desenvolvimento econômico da região

Ao longo das últimas seis décadas, a Universidade Católica de Pelotas (UCPel) participou de forma ativa de inúmeros projetos de desenvolvimento regional, colaborando nos desafios e pensando soluções práticas através de diversas parcerias. A primeira universidade do interior do Rio Grande do Sul qualificou o capital humano da população e gerou uma transformação social.

O economista Ezequiel Megiato garante que a história da UCPel impactou diretamente nas características dinâmicas do comércio e na qualificação da área da saúde, fator significativo para o desenvolvimento regional. “O capital humano é o que, de fato, gera crescimento econômico e desenvolvimento, portanto a aposta da universidade foi perfeita neste sentido, ao investir de maneira assertiva na região”, avalia.

Atualmente, a UCPel gera mais de 1,6 mil empregos diretos através de sua estrutura universitária e hospitalar. Contabilizando as atividades terciárias, estima-se que a geração total seja de mais de dois mil empregos diretos e indiretos. Através dessa força de trabalho, a universidade, e toda a sua organização, representa um incremento de mais de R$ 5 milhões ao mês na economia da cidade, a partir da renda dos seus colaboradores.

“Estamos dimensionando a renda gerada pela ação direta da UCPel. No entanto, a aplicação dos recursos que a universidade recebeu dos alunos em projetos em prol da comunidade não possui um preço mensurável, pois trata-se de um impacto extremamente alto e positivo” Ezequiel Megiato

Anualmente, a instituição recebe alunos de todo país, interessados na formação profissional ofertada pela UCPel nos cursos de graduação ou pós. O acolhimento desses alunos injeta mais de 1 milhão de reais mensalmente na economia do município, recurso que é investido em aluguéis, alimentação, comércio local e outras atividades que os estudantes vivenciam durante sua estadia em Pelotas.

DESENVOLVIMENTO REGIONAL | EDR e a presença na comunidade

Desenvolvimento Regional

EDR e a presença na comunidade

Duas décadas fazem do Escritório de Desenvolvimento Regional (EDR) um dos órgãos mais importantes da Universidade Católica de Pelotas (UCPel). Ligado à reitoria, propõe-se a estabelecer conexões entre a universidade e empresas, governo e comunidade através de ações extensionistas, parcerias institucionais, intercâmbios nacionais e internacionais, incubação de empresas e estudos socioeconômicos.

Inicialmente, o EDR foi criado com o objetivo de centralizar os programas que versavam sobre desenvolvimento regional. “Com os anos, essa visão foi adaptada e o escritório se tornou um elo entre a UCPel e o setor externo, buscando desenvolver as demandas da sociedade”, explica o seu coordenador, o economista Ezequiel Megiato.

O EDR abriga vários setores, entre eles o de Relações Internacionais, incluindo a viabilização de intercâmbio para os alunos; o Portal da Fronteira Sul, que elabora uma série de compilação de dados sobre a economia de cerca de 40 municípios gaúchos; e o setor de Parcerias Institucionais, o qual o EDR coordena a representação da UCPel em eventos, conselhos e reuniões junto a mais de 100 órgãos públicos, privados e mistos.

Um dos destaques é o Centro de Incubação de Empresas da Região Sul (Ciemsul), também integrante do EDR. Funciona no Pelotas Parque Tecnológico e tem como objetivo difundir o empreendedorismo e a inovação. Periodicamente, são divulgados editais para seleção de startups que desejam incubação interna.

A reestruturação mais recente do EDR incluiu em seu aporte a coordenação da extensão universitária. “Entendemos que foi um ganho importante, pois esse gerenciamento facilitou a ação da própria extensão, uma vez que todos os projetos e programas perpassam o desenvolvimento sustentável, local e regional”, avalia Megiato.

Todo esse conjunto de ações promove trocas com múltiplos resultados. “A proposta do EDR nada mais é que reunir as diferentes práticas colaborativas institucionais, fazendo que a UCPel e a sua comunidade avancem juntas”, define o coordenador.

PAPEL SOCIAL | O que é ser uma universidade comunitária?

Papel social

O que é ser uma universidade comunitária?

Oficina Apoio às Práticas Patrimoniais

Ser uma universidade comunitária significa ter uma constituição no formato de associação pública não-estatal, que não visa o lucro e tem como principal finalidade o desenvolvimento da comunidade em que está inserida. Estas instituições não pertencem ao governo, como as universidades públicas, e tampouco possuem vínculo à iniciativa privada, como as universidades privadas. São geridas por uma mantenedora, que reforça a missão de estabelecer uma política de estreita relação entre ensino, pesquisa e extensão.

O conceito de universidade comunitária existe desde meados do século 20, quando este modelo contribuiu para a expansão do conhecimento no Brasil. Mas, foi só em novembro de 2013, com a lei 12.881/2013, que estas instituições foram regulamentadas e passaram a ter qualificação específica concedida pelo Ministério da Educação. Assim, ganharam caráter de instituição privada de interesse público, o que permitiu parceria com o poder público no desenvolvimento de políticas voltadas ao ensino superior.

Os principais compromissos incluem: desenvolver projetos de extensão e ações visando a melhoria na vida dos moradores da comunidade; formar cidadãos capacitados e com responsabilidade social; e impulsionar o crescimento da região. Há cobrança de mensalidade aos alunos, no entanto, todos os recursos obtidos são reinvestidos para a melhoria da própria universidade. Ademais, trabalha-se com valores e formas de ingresso acessíveis, buscando sempre levar o ensino superior a um maior número de pessoas.

Regularização fundiária bairro Dunas

Desde sua fundação, a Universidade Católica de Pelotas (UCPel) está focada exaustivamente na missão de servir à comunidade. No ano de 2020, celebra-se um novo recorde na extensão, com 25 projetos aprovados nas mais variadas áreas da educação. Entre as ações sociais, foram desenvolvidas atividades em hospitais, centros de apoio e clínicas. Além disso, mais de 900 kits contendo materiais informativos, alimentos, itens de higiene, máscaras e agasalhos foram distribuídos a pessoas em situação de vulnerabilidade social no período da pandemia. Segundo o dicionário, comunitário “é aquilo que é comum à comunidade, o que é coletivo”. Há 60 anos, a UCPel leva adiante essa mensagem, construindo para o bem do coletivo.

EAD | Em três anos, EAD da UCPel já conta com mais de mil alunos

EAD

Em três anos, EAD da UCPel já conta com mais de mil alunos

O Programa de Educação a Distância, ou EAD, foi implementado na UCPel no ano de 1999 como apoio ao ensino presencial. Em 2012, com a reformulação do planejamento estratégico, iniciou a preparação para oferta de cursos de graduação a distância. O processo de credenciamento junto ao Ministério da Educação (MEC) ocorreu dois anos depois e foi concluído em 2017, quando a UCPel inaugurou o primeiro curso na modalidade, o tecnólogo em Segurança Pública e Privada.

A partir de parceria firmada com Projeto Mais Campus, do Grupo A Educação, em 2018, a universidade obteve expansão na educação a distância. O maior impacto foi o aumento do portfólio de cursos, o que possibilitou ofertas com custos mais baixos e, naturalmente, tornou a instituição mais competitiva na captação de novos alunos.

Com o convênio, vieram ainda novas ferramentas de ensino, como a Plataforma Sagah, voltada para materiais didáticos; biblioteca digital; o sistema BlackBoard, conceituado ambiente virtual de aprendizado e o sistema acadêmico Lyceum. Somada às plataformas, a Mais Campus também realiza suporte na captação de novos alunos. Todos estes atrativos tornaram o EAD da UCPel ainda mais competitivo.

Atualmente, são mais de mil alunos espalhados por 20 cursos da modalidade. Quase 20% deste quadro é composto por acadêmicos de fora de Pelotas, comprovando a eficácia em expandir os valores e o ensino da UCPel para outras regiões.

Como novidade em 2020, chegaram ofertas de especializações também no formato EAD. As melhorias oportunizaram o ingresso de muitas pessoas no ensino superior, transformando suas trajetórias e as aproximando de seus sonhos.

DIFERENCIAIS

Visita técnica

O EAD da Católica contempla os acadêmicos com diversas vantagens. Logo após a matrícula, o aluno recebe acompanhamento de um tutor, com formação específica, que o acolhe desde os primeiros instantes. Além disso, as aulas ocorrem com os mesmos professores dos cursos presenciais. Toda a estrutura da universidade fica à disposição do aluno, para a realização de atividades práticas e vivência universitária.

Os conteúdos são desenvolvidos por especialistas e complementados por docentes da UCPel antes de chegar às plataformas de ensino. Nelas, ficam armazenados virtualmente e podem ser acessados quando e onde o aluno quiser.

Outro diferencial do ensino EAD é a flexibilidade de horários. É possível organizar os compromissos de estudo conforme a necessidade individual, uma vez que a presencialidade é cobrada apenas para a realização de avaliações e a prática do projeto integrador. Alguns cursos possuem encontros semanais, enquanto outros, preveem encontros mensais.

“O EAD abriu uma oportunidade de viver um novo mundo. O formato e o valor, que cabe em meu orçamento, me deram a chance de realizar o sonho de ser uma assistente social. Acredito que a graduação não é apenas um sonho que está sendo colocado em prática, mas a transformação de uma pessoa que um dia achou que nunca chegaria lá”.

Letícia Vieira, acadêmica do curso de Serviço Social

“O EAD me proporcionou mudar de um curso que eu não gostava para um que eu amo, por ser mais acessível financeiramente e flexível. Moro atualmente em Santa Catarina e por ser EAD não precisei abandonar tudo que já tinha cursado. Hoje estou na metade do curso e só preciso ir fazer as provas, o que me permite morar longe e ainda fazer estágio na cidade onde moro. Sem a modalidade EAD nada disso seria possível”

Pâmela Passos, acadêmica do curso de Publicidade e Propaganda

ASSOCIAÇÃO | Conheça a APAC, a mantenedora da UCPel

Associação

Conheça a APAC, a mantenedora da UCPel

A Universidade Católica de Pelotas (UCPel) é mantida pela Associação Pelotense de Assistência e Cultura (APAC). Fundada em março de 1959, com caráter filantrópico e comunitário, a APAC ainda é responsável pelo Centro da Criança São Luiz Gonzaga, pela Rádio Universidade e pelo Hospital Universitário São Francisco de Paula.

Com atuação nas áreas da educação e da saúde, busca prover, através da prestação de serviço de suas mantidas, os recursos necessários para o funcionamento pleno de suas atividades. Não possui fins lucrativos. Sua sede fica localizada na rua Padre Anchieta, 1.274 (prédio Santa Margarida).

Entre as várias atividades, é responsável por utilizar a controladoria contábil como instrumental de transparência da gestão econômica; regular a adesão e manutenção do Prouni junto ao MEC e UCPel; atualizar o estatuto de acordo com Código Civil; renovar sua certificação junto ao MEC e documentos de funcionamento em âmbito municipal, estadual e federal; acompanhar o cumprimento do contrato de reestruturação da UCPel com o Banrisul; e desenvolver o controle patrimonial. A APAC também promove a integração do presidente, conselhos e seus demais associados na gestão executiva da UCPel e seus órgãos auxiliares. Conheça também as demais empresas da Associação:

CENTRO DA CRIANÇA

Com mais de 40 anos de história, o Centro da Criança São Luiz Gonzaga atende crianças de quatro meses a três anos e 11 meses, na etapa de Educação Infantil. “Dada a especificidade da faixa etária atendida, a escola busca constantemente que todas suas ações dialoguem entre si, tendo em vista o papel social e educativo que cumpre”, comenta a diretora da instituição, Bianca Neves.

Também são realizadas atividades voltadas às famílias dos pequenos, como práticas sociais de fortalecimento das relações familiares e comunitárias, promovendo a integração e a troca de experiências; suporte aos grupos em situação de vulnerabilidade social mais acentuada; e encontros formativos ou oficinas de geração de renda.

“Consideramos fundamental a interação entre espaço educativo e o ‘universo’ da família, promovendo ainda a integração, a colaboração e a participação ativa”, diz Bianca. Assim, ao oportunizar o atendimento integral para uma média de 70 crianças, os pais podem se inserir no mercado de trabalho, buscando sustentabilidade financeira.

RÁDIO UNIVERSIDADE

Notícias, esporte e formação humanística são os principais focos de atuação da Rádio Universidade, a emissora AM da UCPel. “O nosso diferencial é a preocupação com os valores que compõem uma sociedade justa e fraterna. E não poderia ser diferente, porque somos uma rádio católica vinculada à Arquidiocese de Pelotas”, salienta o diretor da RU, padre Marcus Bicalho.

Fundada em 1967, a emissora possui potência de 2,5 KW e se faz presente em 14 municípios da Zona Sul do Estado. Pode ser sintonizada no dial AM 1160 kHz e também pela internet no ru.ucpel.edu.br. “É uma rádio que tem um público próprio. A nossa audiência é muito grande nas colônias, pois desejam notícias do que está acontecendo nas comunidades da igreja”, comenta.

A programação da RU tem passado por uma transformação desde 2017, quando Bicalho assumiu a direção. Trocou-se o entretenimento
sensacionalista pela divulgação de ações do bem. “As notícias não perderam espaço. Só não ressaltam mais a miséria, a desgraça, o lado ruim das coisas”, explica

Rádio Universidade – RU

Houve também uma maior valorização das atrações que contribuem para a formação humana e moral dos ouvintes, incluindo produções ligadas à Igreja, como a transmissão de missas e os programas Momento de Reflexão, Falando de Bíblia e Evangelho do Dia. Atualmente, a rádio tem avançado em sua migração da AM para FM.

HOSPITAL UNIVERSITÁRIO SÃO FRANCISCO DE PAULA

Hospital HUSFP

Chamado carinhosamente de ‘Chico’, o Hospital Universitário São Francisco de Paula (HUSFP) é considerado o maior laboratório da UCPel. Diariamente, seus corredores recebem diversos alunos de cursos de graduação da área da saúde. O local também é espaço para atuação de residentes de nove programas de residência médica e uma multiprofissional.

O HU, como também é chamado, é referência em várias especialidades. Possui uma UTI Pediátrica e uma Neonatal, além de uma Semi-Intensiva Pediátrica. É responsável por 60% dos atendimentos do Sistema Único de Saúde da região sul e, anualmente, conta com mais de 9,3 mil internações, 1,7 mil partos e 6 mil cirurgias.

Nos últimos anos, o hospital vem investindo na qualificação de sua infraestrutura, com a reforma de diversas alas e treinamentos permanentes de equipes de atendimento. De acordo diretor de gestão do HU, Maurício Karini, a qualidade no atendimento e na infraestrutura contribui para a sustentabilidade institucional do Hospital voltado prioritariamente para atendimento SUS.

UTI Neonatal
PERSONALIDADE | Dom Antônio Zattera: o bispo da educação

Personalidade

Dom Antônio Zattera: o bispo da educação

Além de fundar a Universidade Católica de Pelotas (UCPel), Dom Antônio Zattera acumula incontáveis feitos. Nascido na cidade de Garibaldi em 25 de julho de 1899, filho de imigrantes italianos, despertou para a vocação sacerdotal muito cedo. Quis o destino, que sua grande obra fosse realizada junto à Diocese de Pelotas.

Em 31 de maio de 1942 o padre Antônio era sagrado bispo da Diocese de Pelotas. O cenário que encontrou era desafiador: no extenso território, na época a diocese também era responsável pelos municípios de Bagé e Rio Grande, encontravam-se poucos padres e instituições filantrópicas. O problema do menor abandonado logo chamou sua atenção.

Como era um homem de ação, liderou a construção de uma rede voltada à proteção social. Nascia o Instituto de Menores Dom Antônio Zattera, existente até hoje. Por acreditar na evangelização através da educação criou outros espaços educacionais, como o Colégio Diocesano.

Não parou por aí. Para formar mais professores, criou a primeira Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras do interior do Estado, voltada para atender às cidades de toda a região sul. Dela, nasceu a Universidade Católica de Pelotas (UCPel), a Universidade Federal do Rio Grande (FURG), a Universidade da Região da Campanha (URCAMP) e faculdades nas cidades de Jaguarão, Camaquã e São Gabriel.

Mesmo empenhando grandes esforços em prol da educação, nunca deixou de lado o progresso espiritual da população. Criou inúmeras igrejas. Uns dos destaques de sua obra fica por conta da ampliação, pinturas e altar mor da Catedral Metropolitana de Pelotas. Ordenou 54 de seus seminaristas, além de duas sagrações episcopais: Dom Benedito Zorzi e Dom Jayme Chemello. Seu exemplo levou três de seus sobrinhos a seguirem a carreira sacerdotal.

Dom Antônio era determinado. Persistente e confiante, viu nascer e crescer tudo aquilo que idealizou. E sua obra mudou os rumos de toda a região.